|
Paulo Cabral - radialista precursor do uso da mídia na política cearense
Artigo publicado em História do Rádio e Televisão no Ceará
Nos anos 40, o rádio cearense se notabilizou pelas grandes campanhas que empreendia.
Pode-se falar do São João e Natal dos Lázaros, que conseguia doações para o Educandário Eunice Weaver, que trabalhava a favor das vítimas da hanseníase e seus filhos, então confinados na colônia de Antonio Diogo (Redenção).
Outra campanha memorável foi a do levantamento de recursos para a Santa Casa de Misericórdia de Fortaleza, que alcançou a cifra recorde de um milhão de cruzeiros.
Essas campanhas mobilizavam a cidade, criavam um sentimento de "pertença" e estimulavam o lado filantrópico das pessoas.
À frente destas iniciativas estava um jovem radialista, Paulo Cabral de Araújo.
Quando se aproximavam as eleições de 1950, o clima era de pouco entusiasmo diante dos candidatos lançados. De um lado, antecipando-se aos empresários na política, o milionário Diogo Vital de Siqueira. O prefeito Acrísio Moreira da Rocha não podia se candidatar à reeleição e apoiou Erestides Martins, que teve uma votação pífia.
O fato novo da política veio a reboque dos partidos políticos e passou a ser a primeira grande interferência da mídia no poder: o radialista Paulo Cabral de Araújo, aos vinte e oito anos, sem vivência de política partidária, sem apoio dos partidos tradicionais, disparou na preferência do eleitorado e teve uma vitória estrondosa nas urnas.
A vitória chamou a atenção para a força da mídia.
Era freqüente a utilização dos jornais, como foi feita por Paulo Sarasate nas eleições para o governo do Estado, em 1954, mas o rádio era novidade.
Paulo Cabral optou pela carreira jornalística. Ocupou cargos significativos no cenário nacional. Foi presidente do Condomínio dos Diários Associados.
Por trás disso tudo, os velhos transmissores, a empolgação dos segmentos populares, a necessidade de ajudar uma instituição que presta grandes serviços à cidade e vive, permanentemente, em crise.
Em termos de política cearense, essa eleição vai ter tanto impacto quanto a de Maria Luiza Fontenele a prefeito de Fortaleza, em 1985, também por um partido pequeno e contra todas as forças hegemônicas.
O papel da mídia na política tem sido grande. Nas eleições de 2006, três radialistas de programas sensacionalistas foram eleitos para a Assembléia Legislativa. O tema já foi objeto da tese de doutorado da jornalista e professora Márcia Vidal.
Mas o começo de tudo foi Paulo Cabral.
Os méritos foram dele, do contexto de então e das campanhas que, da mobilização pela dádiva, passaram para a militância política.
Artigo publicado em História do Rádio e Televisão no Ceará
|