Os Marcos da Ceará Rádio Club

O Rádio Club no Ceará em 1934

Programação do 5 Aniversário
O Rádio Clube Cearense - pela Revista Rádio do Rio - 1924
Memória sonora - trechos de transmissões
Fotomemória - fotos da história da CRC
O Rádio Cearense - apreciacáo de Cid Carvalho
Paulo Cabral - precursor da mídia na política cearense

Os Marcos da Ceará Rádio Club

DÉCADA 1940-49. A INCORPORAÇÃO AOS "DIÁRIOS ASSOCIADOS"

 

clique aqui para ouvir a "chamada" oficial dos Diários Associados

A década de 1940-49, da qual seis anos já são de administração da empresa pelos "Diários Associados" (fase que se iniciou a 11 de janeiro de 1944, dia da incorporação à rede nacional de emissoras de Assis Crateaubriand) é de constante aperfeiçoamento e melhoria dos padrões de redação e apresentação de programas. Sucedem-se as temporadas de artistas.

Desde Linda e Dicinha Batista, Uyara de Goiás, Manézinho Araújo, Dilú Melo, passando por Raul Roulien, então fazendo sucesso no cinema, foram sucessivas as exibições de grande êxito.

Desse período, depois do desempenho de Dermival Costalima, sucede a primorosa atuação de Antônio Maria de Araújo, em 1944, dando mais condições para a realização de programas artísticos de alto nível.

Coincidindo com a abertura da Livraria Aequitas, é lançado o primeiro concurso radiofônico, do Ceará, de peças de rádioteatro, sob o tema: "Os grandes processos da História". Seria vencedor, com o "Processo de Maria Antonieta", o jornalista Eduardo Campos que, a 4 de setembro desse ano, passaria a integrar os quadros da emissora, onde pontificava, com grande talento (fácil no improviso e inteligente), Paulo Cabral.

Com o nome de Manuelito Eduardo, Eduardo Campos passaria a atuar também como locutor, formando ao lado de João Ramos, Heitor Costa Lima, Mozart Marinho, Aderson Brás, Luzanira Cabral (Stela Maria), Cabral de Araújo . .José Lima Verde e Silva Filho, todos expressivos locutores desses anos de ouro da radiofonia cearense.

Nessa década, que se menciona, foram utilizados pela primeira vez os violeiros cearenses, às quartas-feiras, no programa "Paisagem Sertaneja", produzido por Eduardo Campos, que a esse tempo escrevia também "As bailarinas divertem o rei". Mas as horas dos ouvintes passam a ser dedicadas principalmente aos programas de rádioteatro, quando fazem sucesso várias histórias romanceadas, em capítulos, não só no horário chamado nobre, o noturno, mas também pela manhã, às 9 h, quando vai ao ar a novela "As pupilas do Senhor Reitor", e, logo depois, "Os fidalgos da Casa Mourisca".

Registre-se que a primeira novela apresentada pela Ceará Rádio Clube, ao vivo, com o seu próprio "cast", foi o seriado de Amaral Gurgel, "Penumbra", inaugurando o horário das 20 h.

A história de Amaral Gurgel repetiu em Fortaleza o êxito alcançado no sul do País, ao microfone da Rádio Tupi. E logo a esta os ouvintes puderam seguir as emoções de "Rosa de Sangue", outra novela de impacto.

Eduardo Campos escreveu então a primeira novela cearense, radiofônica, "Aos pés do tirano", que se transformou em sucesso não apenas no Ceará mas em todo o Nordeste. Eram destaques como galãs, nos principais espetáculos de rádioteatro, os irmãos Paulo e José Cabral de Araújo.

Com o ingresso de João Ramos no elenco de locutores e artistas da Ceará Rádio Clube, formou-se a dupla de românticos (João Ramos - Laura Santos) que se tornou ídolo do chamado "teatro ego" (denominação desses dias), subindo então para cinco os radialistas oriundos de um mesmo lugar. Vieram de Guaiúba (município de Pacatuba), onde nasceram, para atuar no rádio cearense, precisamente na Ceará Rádio Clube: João Ramos, Paulo Cabral de Araújo, José Cabral de Araújo, Luzanira Cabral e Manuelito Eduardo.

A estação fundada por João Dummar inovou em tudo, até em transmissões esportivas. O primeiro noticiário de esportes foi organizado e apresentado por jornalista extremamente talentoso, no caso o comentarista Miguel Picanço, que se escondia sob pseudônimo de P. Teleco.

E. C.