Os Marcos da Ceará Rádio Club

O Rádio Club no Ceará em 1934

Programação do 5 Aniversário
O Rádio Clube Cearense - pela Revista Rádio do Rio - 1924
Memória sonora - trechos de transmissões
Fotomemória - fotos da história da CRC
O Rádio Cearense - apreciacáo de Cid Carvalho
Paulo Cabral - precursor da mídia na política cearense

Os Marcos da Ceará Rádio Club

OS NOVOS ESTÚDIOS NO EDIFÍCIO DIOGO.
A CONSAGRADORA TEMPORADA ARTÍSTICA DE
ORLANDO SILVA, O "CANTOR DAS MULTIDÕES"

 

Em 1941, a 29 de agosto, através de portaria de número 496, a estação recebeu autorização para mudar os estúdios das Damas (Avenida João Pessoa) para o oitavo e nono andares do Edifício Diogo. O cumprimento dessa providência implicava em melhoria técnica dos equipamentos de transmissão e aperfeiçoamento da programação artística.

João Dummar contratou então o radialista Dermival Costalima, que chegou a Fortaleza a tempo ainda de atuar nas Damas e acompanhar de perto os trabalhos de montagem do estúdio no centro da cidade.

A festa se deu a 12 de outubro de 1941, memorável por registrar igualmente a entrega aos ouvintes do transmissor de ondas curtas, conquista técnica que possibilitava a emissora alcançar os pontos mais distantes do Ceará, do Brasil e do exterior.

A atração maior desse acontecimento foi a presença de Orlando Silva, considerado o "cantor das multidões" e senhor de considerável prestígio popular. Pode-se dizer, sem exagero, que a cidade parou para receber a grande voz romântica do cancioneiro nacional, cantor que disputava as preferências do público juntamente com Francisco Alves, "o rei da voz", que antes' visitara o Ceará, para atuar ao microfone da PRE-9, em 1938.

Orlando Silva viajou do Rio de Janeiro para Fortaleza em avião de carreira da NAB (Navegação Aérea Brasileira) que, à época, descia no antigo Campo do Alto da Balança.

Pela primeira vez, em Fortaleza, a polícia teve de tomar medidas especiais para proteger o artista em seu desembarque, tendo bloqueado o acesso ao aeroporto, para onde convergia incalculável número de curiosos, que começavam a se identificar por "fãs".
O desembarque houve-se com ordem. Ao transpor os portões do aeroporto, até o centro da cidade, o cantor pôde testemunhar que se transformara em ídolo da mocidade fortalezense.

 

Debaixo de aplausos o cantor desfilou até o hotel, o "Excelsior", em carro aberto. E da sacada do apartamento dirigiu-se mais de uma vez aos que ali se postavam, sendo vivamente aplaudido. Sua temporada foi êxito completo. Principalmente, por ter lançado os dois grandes sucessos do carnaval de 1942. "Chica boa" e "Lera lero".

Os programas da emissora, a partir da direção artística de Dermival Costa Lima, passaram a ser cuidadosamente escritos. A terminologia já dominante no rádio, no sul do País, chegava a Fortaleza daqueles dias e à sua emissora pioneira. O programa obedecia a texto do "script", como se dizia então, e cada participante da audição recebia cópia, para acompanhar. Acudia a linguagem técnica nova semântica radiofônica, a adotar neologísmos. Tinham curso as palavras "broadcasting", "cast", "lady-crooner", e designações que se iam somar aos procedimentos de sonotécnica, sonoplastia, etc.

Nas transmissões era utilizado mais de um microfone. E para quase todos os programas, a direção exigia recursos musicais, orquestrados ou produzidos pelo sonoplasta, no caso o próprio discotecário.


Efetivaram-se, então, os primeiras programas de auditório, que este, composto de cem poltronas, ficava instalado no oitavo andar do Edifício Diogo. (Direção comercial e Superintendência funcionavam no nono andar).

E. C.