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AS PRIMEIRAS MANIFESTAÇÕES DE "BROADCASTING"
Não está bem definido quando se iniciaram os programas de rádio, elaborados para ouvinte. Dá conta o cronista e escritor Otacílio Colares de que por volta dos anos iniciais da Ceará Rádio Clube, já tocavam piano em seus estúdios "revelações como José Pompeu Gomes de Matos, Lauro Maia, José e Estevão EmI1io de Castro e Aloysio Pinto." Foram artistas cantores, dessas primeiras manifestações de "broadcasting", José Jataí, Romeu Menezes, o "boêmio-galã" Moacir Weyne e Altair Ribeiro.
Descrevendo a Fortaleza dessa época, com os seus oitenta mil habitantes, Otacílio Colares narra: "Era, quando, tirante as sessões "colosso" e "gigante", dos popularíssimos cinemas centrais, Majestic e Moderno" ... "só restava, para encompridar a hora de recolher-se à casa, o recurso dos longos papos às mesas de cafés, que os havia, às dezenas, à roda e nas proximidades da Praça do Ferreira."
Nesses cafés, de freqüência variada, lá estavam os pequenos rádioreceptores, todos em mógno, geralmente com as caixas em forma ogiva!, em cantoneiras no geral de mármore ao alcance apenas da sintonia do proprietário, na transmissão das vozes, então máximo, de Vicente Celestino, Silvio Vieira, Augusto Calheiros, Alberto Perroni, Gastão Fomenti: valsas, canções, cançonetas, foxes bem marcados, sambas de Noel e choros de Pixinguinha e Benedito Lacerda.
Isto sem esquecer Carmen e Aurora Miranda que despontavam gloriosamente. Não sendo de esquecer os programas de música erudita, com apresentações. Se me não engano, redigidas por Audifax Mendes, que música selecionada era passatempo de uma elite social em cujas residências solarengas havia piano como instrumento e não como puro móvel ornamental."
Por esses dias vieram a Fortaleza, para cumprir programas ao microfone da Ceará Rádio Clube grandes nomes do rádio brasileiro: Sílvio Caldas, Francisco Alves e Carlos Galhardo.
Em 1936 a empresa promoveu o primeiro concurso para locutor, iniciativa que despertou a curiosidade do público ... e a contratação dos três primeiros profissionais dessa categoria, que mais tarde seria enriquecida com a presença de Paulo Cabral de Araújo.
Raimundo Menezes (falecido recentemente), em 1938 ocupava cinco minutos eventualmente, ao microfone da emissora, com crônicas de sua autoria enfeixadas posteriormente em livro sob o título: "Coisas que o tempo levou", nome de programa que ia ao ar sob a responsabilidade inicial de José Cabral de Araújo e, depois, por muitos anos, de José Limaverde.
Eduardo Campos
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